Moda verde e incoerências…


  • O ser humano é tão presunçoso que chega a soar engraçado. Está na moda agora dizer que a humanidade está destruindo o planeta, que o mundo vai acabar etc etc. Conheço poucas coisas que sofreram tanto quanto a pobre Terra: ela já passou por umas 5 eras de gelo, teve inúmeros eventos de impacto de meteoros, um único continente primordial se separou nos vários que conhecemos hoje, o pólo magnético se inverteu várias vezes, sofreu com tempestades solares etc. No máximo, o que os humanos vamos conseguir é a auto-destruição. Não importa quanto tempo leve, mas a Terra se recupera. Se não houver uma mudança drástica no nosso comportamento, a tendência é que nosso estilo de vida conseguirá acabar  com nós mesmos. Temos que ser mais humildes e deixar de lado essa bandeira de “salvadores redimidos do planeta”. A Terra não depende de nós para absolutamente nada! Estava muito bem sem nossa espécie e assim novamente ficará se resolvermos nos exterminar. Somente um evento cósmico catastrófico seria capaz de destruir o planeta. A coisa funciona mais ou menos assim: em escala de interação humano-humano somos importantes pra caramba, variável vital, uhuu… Em escala planetária, somos como um termo dissipativo, uma praga, um termo de ruído. Em escala do sistema solar somos poeira. Em escala galáctica o conceito de ser, algo intrinsicamente humano, se perde. Em escala universal,  poeira é a nossa galáxia…
  • Outra coisa que acho extremamente ridículo são essas pessoas que são contra o uso de animais nas pesquisas científicas. Suponha que num dia x do futuro alguma técnica nova seja desenvolvida de forma que a utilização de animais em laboratório torne-se REALMENTE (o que não acontece hoje, apesar dos ecochatos dizerem que sim!) desnecessário. Cara, até o dia x, todos os remédios que você usou para salvar ou melhorar as condições de sua vida estão banhados em sangue de cobaias! Você vai “carregar essa cruz” pra sempre! Você viveu em detrimento da vida desses animais! Claro que esse dia x ainda não chegou, mas ainda assim essas pessoas da modinha carregam essa bandeira hoje em dia. Quando elas oferecerem as respectivas mães como cobaias e começarem a se abster de todos os avanços científicos que resultaram numa melhora da qualidade de vida delas, ou seja, voltarem a morar em cavernas, aí sim começo a respeitar a atitude delas. Será que não é hipocrisia levantar essa bandeira e continuar usando remedinho pra espinha, pra uma dorzinha de cabeça, antibiótico, bolsa e sapatos de couro animal, cosméticos de tudo quanto é tipo?
  • Mais uma coisa que acho meio imbecil (a outra metade acho que é incoerência) é uma pessoa (tipo aquela que usa remedinhos e sapatos de couro) dizer que tem pena de comer carne animal e critica quem o faz. Esse tipo de pessoa deve ser criacionista, não é possível! Só assim pra achar que comemos carne “de sacanagem”, por pura opção. Tipo, acordei hoje sem vontade de comer alface e tive uma vontade irresistível de matar aquele boi e engoli-lo. Por ignorância (aí é até aceitável) ou hipocrisia e incoerência mesmo, essas pessoas (grande parte até com um “bom nível” de conhecimento científico) agem como se não fôssemos resultado de um processo evolutivo onde, grosso modo, em algum ponto da história a solução encontrada por nós para a obtenção de energia e, consequentemente, para a manutenção da nossa sobrevivência, foi ingerir a carne de outros animais. Ok, hoje temos outros meios de conseguir proteínas e nossa necessidade energética já não se equipara à dos nossos antepassado, mas a evolução é um processo extremamente lento. A informação genética que carregamos ainda nos diz que comer carne é bom e natural, e que comer SOMENTE saladas e carne de soja não é tão bom assim.

Temos que ter cuidado com o que falamos e com o que pregamos. É legal e importante  mudar de comportamento frente aos recursos naturais, preservar a natureza, reciclar lixo, buscar meios alternativos para testar medicamentos, mas não podemos cair no erro de nos tornarmos pessoas hipócritas e incoerentes. Por que achamos natural matar uma barata ou um rato e não um cachorro? Por que uma forma de vida é melhor e deve sobreviver em detrimento da outra? Você pode argumentar que uma é mais nociva pra espécie humana que a outra, mas aí a questão anterior surge novamente. Temos que analisar nosso comportamento e questionar as informações que recebemos, e não apenas seguir modas. Enfim, essa onda verde ainda tem que amadurecer…

Até a próxima!

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