Wordle, uma brincadeira que pode até ser útil


Como o próprio criador diz, o site Wordle.net é um brinquedo para gerar “nuvem de palavras” a partir de um texto fornecido pelo usuário. Baseado na frequência de aparecimento das palavras no texto, ele atribui um tamanho diferente para a representação de tal vocábulo. Quanto mais frequente, maior a fonte.

Isso pode ser útil, por exemplo, para verificar como anda a repetição de palavras durante a escrita de um artigo ou, melhor ainda, serviria como um indicador do teor de um dado texto. Por exemplo, segue abaixo um “wordle” da introdução provisória do meu próximo paper. Tentem adivinhar do que se trata🙂

neural

Não seria legal se num futuro próximo os artigos científicos e as teses viessem com um “mapa” desse na página do resumo?

BICEP2 – Uma coletânea de links


Quase um ano após a divulgação dos resultados do Planck, mais um grande conjunto de medições cosmológicas foi divulgado. Agora foi a vez do experimento BICEP2 publicar dados que terão um impacto gigantesco para a pesquisa da Física do universo primordial. Pela primeira vez evidências diretas da existência de ondas gravitacionais (B-mode polarization) foram obtidas e novas restrições sobre parâmetros cosmológicos como por exemplo o índice espectral $ latex n_s$ e a tensor-to-scalar ratio (r) foram obtidos.

Os indícios da existência de ondas gravitacionais, caso confirmado por outros experimentos,  constituiria a primeira evidência de que um período de expansão acelerada nos primórdios do universo teria de fato ocorrido. Isto elevaria o chamado modelo inflacionário ao status de fato científico, deixando de ser apenas um cenário fenomenológico conveniente para sanar alguns problemas do modelo cosmológico padrão (popularmente conhecido como Big Bang). 

Além disso, os resultados ressaltam que a mecânica quântica de fato desempenhou um papel fundamental juntamente com a gravidade nos momentos iniciais do universo. Com isso, uma teoria quântica da gravidade faz-se ainda mais necessária para completarmos nosso conhecimento acerca do nascimento do universo e também para entendermos o que causou o período inflacionário.

Esta sem dúvida será uma das descobertas mais importantes da história da ciência, caso confirmada. Na minha opinião, esse feito estaria num nível similar ao da descoberta do bóson de Higgs, ou até mesmo superior, se imaginarmos que o que o BICEP2 fez foi inferir dados de um universo que possuía por volta de 10^{-35}s de idade.

Acho que um prêmio nobel para os experimentais e para os pais do modelo inflacionário é algo bastante provável. Pena que quase não estão falando no nome de A. Starobinski, um dos criadores (de forma independente) do modelo juntamente com A. Linde e A. Guth.

Aqui vai uma coletânea de links sobre o assunto:

Bonus: Vídeo do Andrei Linde recebendo a notícia dos resultados:

Applications of Physics Inspired Methods in Natural, Social and Human Sciences – Prof. Sorin Solomon


The snarXiv vs arXiv


Até certo tempo atrás existia por aqui o famoso “Gerador de Lero Lero” (um site homenagem: http://www.lerolero.com/). A premissa do (des)serviço era simples: o usuário entrava algumas frases e o site se encarregava de inseri-las no corpo de um texto produzido artificialmente e que tinha a aparência (somente a aparência mesmo…) de algo repleto de conteúdo e coerência. O serviço devia ser bem popular entre estudantes preguiçosos na tentativa de ludibriar professores igualmente ou mais preguiçosos que não se davam ao trabalho de ler os trabalhos de seus alunos.

Eis então que descubro uma evolução do primitivo Gerador de Lero Lero: o snarXiv. Esse serviço, criado em 2010, tem como objetivo gerar aleatoriamente artigos científicos (mais precisamente apenas abstracts e títulos, por enquanto) de Física de altas energias através de um algoritmo que leva em conta as últimas tendências da área. Nas palavras do próprio criador (http://davidsd.org/2010/03/the-snarxiv/):

The snarXiv is a ran­dom high-energy the­ory paper gen­er­a­tor incor­po­rat­ing all the lat­est trends, entropic rea­son­ing, and excit­ing mod­uli spaces. The arXiv is sim­i­lar, but occa­sion­ally less ran­dom.

A diversão já estaria garantida pela última frase da citação acima, mas existe ainda um jogo sensacional: “snarXiv vs arXiv” (http://snarxiv.org/vs-arxiv/), onde são apresentados dois títulos de supostos papers e o jogador tem que adivinhar qual deles é de um artigo verdadeiro. Você pode inclusive submeter seu resultado para um ranking que é exibido no site. Resta saber como diferenciar um jogador mediano de um gerador de chutes aleatórios, já que em cada questão a probabilidade de acerto é 50%🙂

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Meu resultado: pior que um macaco!

Existe ainda um irmão do snarXiv na comunidade de computação: o SCIgen (http://scigendetection.imag.fr/main.php). A coisa deu tão certo (ou não tão certo…) que somente agora uma série de artigos de conferência (proceedings) aceitos e supostamente revisados por pares foram descobertos e classificados como falsos: http://www.nature.com/news/publishers-withdraw-more-than-120-gibberish-papers-1.14763

Vá correndo agora checar a sua lista de referências antes de submeter seu próximo artigo!🙂

Uma nova equação para a inteligência (Vídeo)


Uma interessante palestra de Alex Wissner-Gross (http://www.alexwg.org/) onde o mesmo afirma ter dado os primeiros passos na formalização de um princípio físico que relaciona entropia com o que se denomina inteligência. O trabalho original publicado na Physical Review Letters pode ser encontrado aqui: http://link.aps.org/doi/10.1103/PhysRevLett.110.168702

Lista de abreviações de revistas científicas


http://library.caltech.edu/reference/abbreviations/

Convertendo bibliografia .bib para o ambiente “thebibliography” (LaTeX)


Eu acho infinitamente mais prático usar o BibTeX (arquivos .bib) para gerenciar as citações dos documentos (artigos, tese etc). Entretanto, infelizmente algumas revistas não pensam da mesma maneira e exigem que as referências bibliográficas estejam dispostas no corpo do próprio arquivo .tex que contém o seu artigo.

Reescrever todas as citações no ambiente “thebibliography” seria uma perda de tempo desnecessária. Para contornar esse inconveniente, basta seguir esses passos:

1) Compile seu arquivo .tex normalmente junto com seu arquivo .bib

2) Será gerado um arquivo .bbl. Procure-o e abra-o num editor de textos.

3) Observe que a primeira linha desse arquivo é \begin{thebibliography}!

4) Copie exatamente todo o conteúdo do arquivo .bbl para seu arquivo .tex e elimine a chamada do arquivo .bib.

5) Pronto, agora você tem suas citações dentro do ambiente “thebibliography” junto com o corpo principal do seu texto.

Isso mesmo, o que o BibTex faz em essência é converter em plano de fundo suas citações oprganizadas no arquivo .bib para o ambiente thebibliography.

Fonte:

http://fundamentalthinking.blogspot.com.br/2009/12/convert-bibtex-entries-to-bibitem-in.html